domingo, 4 de maio de 2008

Kelly Cátia Sibinconi é cigana, tem 33 anos, 4 filhos e é casada desde os 17 anos. Nasceu em Goiânia, mas se mudou para Nova Odessa, onde vive toda sua família, que é de origem italiana. Em uma conversa, Kelly contou várias coisas sobre a cultura dos Ciganos.

Kelly, suas duas filhas e sobrinha.


Família: Os ciganos são muito unidos e honram muito a família. Quando algum familiar fica doente ou tem algum problema, todos os outros o auxiliam no que for necessário. “Quando acontece algum problema, tentamos resolver entre nós, fazendo uma reunião e conversando sobre o assunto. Nessa reunião nós mulheres não temos o direito de falar. Apenas os maridos e os mais velhos” disse Kelly. Se a moça cigana, ou o cigano faz algo de errado, o pai dela, ou dele, tem que pagar um dote que é estipulado nessa reunião. O valor é pago em moedas de ouro, podendo chegar a 300 moedas. Há muito respeito aos mais velhos da família, honram muito aos pais e tentam conservar suas tradições milenares.

Fonte de renda: Venda de cama, mesa e banho. “Vendemos qualquer coisa, pois o cigano é um povo muito trabalhador”

Comida: Kelly conta que a comida mais típica é o Charuto: “ São rolinhos feitos em folha de repolho, recheados com lombo ou carne moída, azeitonas, bacon e molho dourado. Pode ser também em folha de uva com recheio de bacalhau”

Preconceito: “Sempre quando vamos em comércio, os outros nos olham como ladrão, porque é a fama que o cigano tem. Não usamos mais tanta roupa cigana porque onde íamos nos olhavam diferente, mas somos muito trabalhadores” diz Kelly.

Religião: Alguns ciganos ainda fazem oferendas a santos. Isso é chamado de Eslava, que é quando se faz uma promessa á um santo. Essa promessa consiste em todo dia 12 fazer uma festa com muita comida, e todos os ciganos da família vem homenagear a promessa.
Kelly conta que a maioria dos ciganos se converteram em cristão, a maioria na igreja
Assembléia de Deus.

Casamento: Antigamente, os filhos tinham que casar com quem os pais escolhiam. Hoje, isso ainda existe, mas há casos de ciganos que casam com mulheres que não são ciganas (gadjí), e ciganas que casam com não-ciganos. O que acontece é que quem casa com pessoas que não são ciganos, automaticamente são excluídos do circulo familiar. Por exemplo, não são convidados para as festas da família, batizados, casamentos, etc.
“ Não queremos que nossos filhos casem com pessoas que não são ciganas, porque não queremos que sumam nossos costumes e tradições”, conta Kelly, que já está arrumando um noivo cigano para sua filha de 11 anos, pois eles casam muito jovens.
Ela também explicou que a escolha pelo noivo se dá pelo quanto ele é trabalhador: “Quando o moço não gosta de trabalhar, os pais evitam escolher ele para sua filha”.
Paga-se um dote pela noiva, hoje estipulado em 5 moedas de ouro e o pai do noivo paga toda a festa que, geralmente, dura três dias. No primeiro dia, a festa é feita pelos pais da cigana. No segundo dia, a noiva usa um lenço na cabeça durante a festa, pois as mulheres casadas se diferenciam das solteiras pelo uso do lenço. No terceiro, e último dia de festa, ocorre a noite de núpcias, no qual a noiva deve provar que é virgem. Nesse dia a noiva deve usar uma roupa branca. O quarto também deve ser todo branco, principalmente os lençóis. Isso tudo é arrumado pela madrinha da noiva.
Enquanto os noivos estão no quarto, a madrinha, o padrinho e mais quatro mulheres estão lá fora aguardando a resposta. Então, depois do ato consumado, o noivo guarda o lençol com a mancha de sangue, e mostra aos que aguardam do lado de fora. Depois de provada a virgindade da noiva, a festa continua. Mas, Kelly conta que nem sempre isso ocorre. “Quando a moça não sangra há muita confusão, e a moça tem que ir ao médico pra fazer exames para provar que ela é virgem. Isso tudo com a família do noivo”.
Depois do casamento, a cigana vai morar com a família do noivo por três meses. Isso ocorre para que ela aprenda os costumes de seus sogros. Depois é que eles podem ir morar em suas próprias casas.
O filho (a) caçula tem que morar a vida toda com seus pais. “ O filho caçula que enterra seus pais, e que cuidam deles até a morte. E a moça que casar com ele é obrigada a concordar com isso, gostando ou não”, diz Kelly. Além disso, ela conta que ciganas separadas são discriminadas e encontram muita dificuldade para se casarem novamente. “Eu mesma me casei com 14 anos, mas depois de seis meses me separei. Só fui me casar novamente aos 17 anos”.
As ciganas respeitam o marido acima de tudo. “ Somos muito submissas. Nunca podemos ser maiores que nossos maridos, principalmente na frente de outras pessoas.”

Imagens de casamentos ciganos:



3 comentários:

Alvaro O disse...

Otimo contato, pessoal. Tomem cuidado com a identificacao dos entrevistados. As pessoas mencionadas autorizaram a publicacao de fotos e de seus nomes? Procurem seguir o roteiro apresentado em sala de aula.

Danilo Barros disse...

Me lembra a cultura nordestina.

Danilo Barros disse...

Me lembra a cultura nordestina.